Resumo das Jornadas Pedagógicas de Engenharia Informática

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No dia 14 de novembro, às 14 horas, deu-se início às Jornadas Pedagógicas de Engenharia Informática, no anfiteatro B1 do Departamento de Engenharia Informática, relativas ao 2º semestre do passado ano lectivo (2017/2018). Contámos com a presença de vários elementos na mesa: a Provedora do Estudante da Universidade de Coimbra, Dra. Cristina Albuquerque, o Vice-coordenador do MEI, Professor Nuno Laranjeiro, a Coordenadora do MEI, Professora Marília Curado, o Vice-coordenador da LEI, Professor Vasco Pereira, o Diretor do DEI, Professor Edmundo Monteiro e a Coordenadora do Pelouro da Pedagogia do NEI/AAC e aluna da Licenciatura em Engenharia Informática, Madalena Santos. No anfiteatro, estavam também presentes estudantes e docentes do Departamento de Engenharia Informática.

Em primeiro lugar, foram apresentados alguns dados estatísticos relativamente aos Inquéritos Pedagógicos feitos pelo NEI. Nesta edição, houve 76 respostas nos de Engenharia Informática, sendo que cerca de 75% das respostas são de alunos da LEI, e 25% de alunos do MEI.

Começaram por se abordar assuntos gerais relativamente ao Mestrado em Engenharia Informática (MEI), onde a Professora Marília abordou tópicos que abrangem o processo de melhoria contínua, os inquéritos realizados por parte da UC e a reformulação de MEI. Acerca da reestruturação que está a ser feita, foi recomendado pela professora Marília que as cadeiras de tronco comum MEI, IHC, EGE e MAS fossem completadas pelo máximo número de alunos, para facilitar o processo de transição.

De seguida, foi passada a palavra para a Coordenadora do Pelouro de Pedagogia do NEI/AAC, Madalena Santos. Foram abordados, ainda relativamente ao MEI, os principais problemas nas cadeiras.

Um dos problemas identificados nos Inquéritos Pedagógicos realizados pelo NEI foi o método de exposição da matéria. Na cadeira de Inteligência Artificial, o foco das aulas teóricas era a resolução de exercícios teóricos e práticos. Outras cadeiras mencionadas englobadas neste assunto são Aprendizagem Computacional e Inteligência no Negócio. No entanto, não foram feitos comentários pelos presentes de forma a comprovar estes dados.

As cadeiras Inteligência Artificial e Interação Humano-Computador foram mencionadas, na medida em que os alunos sentem que existe uma carga excessiva. A primeira, pela exigência dos trabalhos que são propostos. A segunda, por, para além de todos os trabalhos que são exigidos, requerer também presenças obrigatórias.

Por fim, foram discutidos alguns assuntos menos gerais. Foi referida a falta de apoio e materiais para a realização dos trabalhos propostos nas cadeiras de Segurança em Tecnologias da Informação e Gestão de Sistemas de Informação. Foi feita a sugestão para a abordagem de conteúdos IoT na cadeira de Sistemas de Comunicação Móvel. Foi explicado que a mesma sugestão já tinha sido feita no passado, e que está a ser incluída na nova reformulação do curso. Na cadeira de Reconhecimento de Padrões, foi referida a opinião de que o peso do projeto na nota final é baixo. Relativamente às cadeiras de Empreendedorismo e Gestão de Empresas e Processos de Gestão e Inovação (LEI), foi manifestada a opinião de que as duas têm alguma sobreposição de conteúdos. Após ter sido referido um dos comentários recolhidos nos Inquéritos, onde se mencionava a falta de apoio no esclarecimento de dúvidas em Aprendizagem Computacional, gerou-se uma pequena discussão, onde se chegou à conclusão de que este comentário não é representativo da situação real. Em relação à cadeira de Inteligência Artificial, foi exposto o domínio dos trabalhos propostos, que parecem ser abstratos e entrelaçados com o domínio do docente da mesma.

Num ponto de vista mais geral, alguns alunos comentaram que os principais problemas no Mestrado em Engenharia Informática são os seguintes: conteúdos pouco aprofundados, excesso de carga num só semestre, a calendarização das entregas, a falta de diversidade de cadeiras opcionais, a organização dos ECTS e a desatualização do plano de estudos. Foi também expressa a opinião de que os trabalhos propostos nas cadeiras devem ter o objetivo de formar e ensinar, e não de sobrecarregar os alunos. Propõe-se que seja diminuída a quantidade de trabalhos exigidos, e aumentada a profundidade e qualidade de cada um.

Posto isto, abriu-se uma discussão acerca de correções que estão a ser feitas ao curso no sentido de resolver os tópicos apontados: a reformulação das FUC de algumas cadeiras vai permitir o ajuste do esforço requerido ao número de ECTS e a atualização de conteúdos. Vai ser feito um maior esforço por parte dos docentes por melhorar a calendarização das avaliações feitas.

De seguida, foram abordados os principais problemas nas infraestruturas do departamento e no funcionamento de alguns processos, como a inscrição nas turmas práticas ou a requisição de salas por parte dos alunos.

Os aspetos mais positivos no nosso departamento referidos durante as Jornadas foram a instalação das luzes nos corredores, o facto de termos acesso ao espaço durante 24 horas, e a existência de um microondas e um fogão no bar.

De seguida, foram discutidos os aspetos menos bons. Entre eles, estão as condições da canalização, que tornam a água da torneira ferrugenta e obriga a comunidade a comprar garrafas de água. Em resposta a isto, o professor Edmundo, diretor do DEI, informou-nos de que este assunto se veria resolvido através da instalação de máquinas purificadoras de água, processo que já foi iniciado, mas que envolve algumas burocracias, e pode, portanto, demorar alguns meses. Foi discutida a diminuição do horário de abertura do Bar do departamento, e as razões por detrás. Foi sugerido que o NEI escrevesse uma carta assinada pelos alunos a explicar os pontos negativos do bar, pois outras tentativas feitas pela Direção do DEI não tinham tido sucesso. Durante o semestre, foi mencionada várias vezes a falta de ventilação nas salas, o que deteriora as condições existentes durante as aulas. Outro problema apontado é a ocupação do DEI durante a noite por parte de alunos de outras faculdades e departamentos, o que muitas vezes impede que alunos de cá possam trabalhar, como seria previsto. Chegou-se à conclusão de que não existe uma solução fácil, pois, como já foi sugerido anteriormente, não é possível proibir a saída do departamento àqueles que não têm acesso com cartão em eventuais casos de emergência. Pede-se a todos os alunos que caso pensem existir uma solução para este ou outros problemas, ou que encontrem defeitos nas infraestruturas, comuniquem para o mail edificio@dei.uc.pt. Após ser feita menção à falta de espaços para trabalhar no departamento, o professor Edmundo referiu que já tinham sido instalados mais lugares na Biblioteca A6 para contornar este problema. Foi constatado que o processo de inscrição nas turmas práticas não está a resultar para todos. Antes, os alunos inscreviam-se por ordem alfabética, quer normal quer inversa. Porém, este semestre as inscrições não seguiram nenhuma ordem em específico, e todos os alunos tiveram acesso à inscrição ao mesmo tempo, o que levou a falhas no site, impedindo o bom funcionamento deste processo. Visto haver problemas evidentes em ambas as soluções já implementadas, foi pedido aos alunos e ao NEI que sugerissem uma nova solução.

De seguida, passou-se ao painel da Licenciatura em Engenharia Informática. Primeiro, o professor Vasco apresentou dados estatísticos acerca dos Inquéritos do Inforestudante. Muitas vezes, há a dificuldade de compreender os problemas que existem efetivamente pela falta de justificação e de especificação naquilo que é dito pelos alunos. Isto é sentido por quem revê tanto os Inquéritos do Inforestudante (coordenadores dos cursos) como os Inquéritos Pedagógicos do NEI (Pelouro da Pedagogia do NEI/AAC)

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De seguida, foi falado acerca dos Inquéritos Pedagógicos do NEI, como foi feito para o painel do MEI. Após a apresentação de algumas informações estatísticas, procedeu-se para a discussão acerca dos problemas do curso.

Um dos problemas recolhidos foi o método de exposição da matéria em cadeiras como Princípios de Programação Procedimental, Computação Gráfica, onde os alunos sentem que este não é adequado à preparação para a exigência do exame, Tecnologia dos Computadores, Sistemas Distribuídos, onde os alunos gostavam de ver os exercícios apresentados explicados e resolvidos pelos docentes, e Algoritmos e Estruturas de Dados, onde a exposição da matéria é feita principalmente recorrendo à visualização de vídeos sobre diversos assuntos, o que pode causar incómodo para alunos com dificuldades auditivas. O docente regente da cadeira de Sistemas Distribuídos, professor Raul Barbosa, disse que é possível e tentará implementar uma dinâmica de resolução das fichas nas aulas Prático-Laboratoriais.

Outro problema geral a várias cadeiras é os método de avaliação, que abrange as seguintes: Protocolos de Comunicação - a avaliação dos trabalhos práticos é pouco transparente, não são disponibilizados os critérios e, devido ao tempo passado entre a realização dos trabalhos e o lançamento das notas, não é tão fácil para os alunos compreender a classificação que lhes foi atribuída; Algoritmos e Estruturas de Dados - a avaliação é demasiado subjetiva dependendo do docente que avalia os trabalhos e os critérios são pouco claros; Engenharia de Software - a troca do professor avaliador em cada sprint pode ser contra-produtiva, visto que os critérios estabelecidos por cada docente diferem em alguns aspetos; Computação Gráfica - existência de subjetividade na avaliação do projeto, dependendo do docente avaliador e impossibilidade de repetir os mini-testes em recurso; Multimédia - discrepância nas notas do projeto, dependendo do docente avaliador, e a falta de uma componente que discriminasse a utilização de frameworks, para beneficiar quem fizesse o projeto sem esta ajuda. No caso de Computação Gráfica, o docente da cadeira, professor Jorge Henriques, sente que a principal razão das dificuldades dos alunos provém da falta de aderência nas aulas onde é exposta a matéria. Muitas vezes, os alunos estão sobrecarregados por outras cadeiras (Compiladores e Laboratórios de Programação Avançada) e não conseguem acompanhar os conteúdos desta cadeira ao longo do semestre, como seria esperado. O docente de Sistemas Inteligentes, Paulo Rupino, também vê a sua cadeira prejudicada por causa dos “cadeirões” do curso. Relativamente à melhoria dos mini-testes, o professor Jorge Henriques disse que na nova edição da cadeira, seria possível repetir esta componente em recurso. Na cadeira de Laboratórios de Programação Avançada, são referidos os seguintes problemas nos critérios de avaliação: falta de componente individual na avaliação prática; testes práticos não recuperáveis; método de avaliação não promovedor da aprendizagem; defesa de todos os trabalhos no fim do semestre exige a “reaprendizagem” destes, que já não estão tão presentes na memória dos alunos, o que acresce à carga já excessiva do 2º semestre de 3º ano; os critérios estão feitos de forma a que momentos de avaliação que correspondem a cerca de 5 horas equivalham a 8 valores da nota final. No entanto, o docente regente da cadeira não estava presente para discutir estes aspetos.

A opinião geral dos docentes é a de que os alunos trabalham para a data da entrega, quando deveriam trabalhar durante todo o semestre para que não houvesse tanta sobrecarga em semanas onde há avaliações.

Na globalidade, os problemas que se destacaram mais foram a distribuição dos ECTS pelas diferentes cadeiras, quando claramente nem todas exigem o mesmo nível de esforço e dificuldade. Foi mencionada a carga excessiva do 2º semestre do 3º ano da Licenciatura, algo que está a ser apaziguado com a nova reestruturação do curso. Foram feitas sugestões como a inserção de aprendizagem de desenvolvimento frontend e de programação funcional.

No fim do evento, todos os presentes puderam desfrutar de um coffee-break no espaço adjacente. Assim terminaram as Jornadas Pedagógicas de Engenharia Informática relativas ao 2º semestre do ano letivo 2017/2018.

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